Manifesto a favor de quem usa transporte público.

Dá pra acreditar? Quase duas horas esperando o ônibus, carro pra lá, carro pra cá, em Salvador o céu se dissolvendo há dias; na Paralela, passa carro pra lá, carro pra cá, espirra água de um lado, espirra água do outro e a gente vai manobrando os guarda-chuvas pra ninguém se molhar... parece até que foi coreografado. Mas, enfim, chega o tão esperado, o benedito, depois de duas horas. Já chega cheio. Ninguém desce. Sobem mais alguns tantos, suficientes para fazer a gente suar em dias frios.
Beleza, passa um ponto, dois, três, outros tantos. Ninguém desce, e mais outros sobem. Como? Queria ver a cara daquele que disse: "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo." Com certeza esse iria se admirar em ver alguns ônibus por aí.
Nem duvido que a essa altura as sardinhas estejam lá, em suas latas, desdenhando: "Espreme que cabe mais um!". E isso porque há uma placa lá dizendo: Este ônibus comporta "X" passageiros sentados e "Y" passageiros de pé. Mas os motoristas e cobradores, por motivos alheios à minha compreensão, hipoteticamente, ou não sabem contar, ou fazem daqueles X e Y, um cálculo avançado, e tamanha é a complexidade, que acaba aparecendo tanta gente.
Mas a coisa fica mais interessante na hora de descer... é um parto, literalmente falando: espreme daqui, empurra dali, peço desculpas acolá (e olha que tem gente que nem desculpas pede, pisa, machuca, empurra, e segue em frente). E mais, a depender da pessoa, se for de baixa estatura como eu, a coisa complica a caminhar... quando se levanta um pé, ficamos na torcida para que ninguém, de alguma maneira, levante o nosso outro, porque aí sim o bicho pega... ficamos flutuando na multidão... Se fossémos rockstars seria maravilhoso, mas só queremos chegar até a porta.
Então, vou me deslocando até a saída... o ônibus pára no meu ponto, mas eu ainda estou na metade o trajeto... puxo a corda desesperadamente e grito: "Segura aê motor!" (Tecla SAP-baianês: Espere um momento, senhor motorista... eu desço aqui!). Se ele ouviu, não sei. Só sei que desci um ponto depois do meu. Debaixo de chuva segui para casa. Abro então a porta, e ainda todo molhado, Jujubis (a amiga com quem moro), fala-me:
"-Uau!Economizamos água! Já veio tomado banho!"
Respondo:
"-Pelo menos isso, né? ¬¬' "
E se caso você encontrar algo como a figura abaixo, não se assuste. É a tendência do transporte coletivo em muitas cidades.


Parabens, ja da p substituir wiliam bonner..
Abraco
Alexandre